País
Governo espera regularizar apoios nos transportes de passageiros até novembro
A secretária de Estado da Mobilidade disse à RTP Antena 1 esperar que até ao próximo mês sejam regularizados os apoios às empresas de transporte de passageiros, adiantando também que estão em curso os pagamentos nos transportes de mercadorias. Setor tem-se queixado de atrasos e de ajudas insuficientes.
O Governo garante que as ajudas às empresas de transporte pesado de mercadorias e de passageiros estão a ser pagas tão rapidamente quanto possível. A braços com a subida do preço dos combustíveis, o setor tem lamentado a demora no pagamento destes apoios.
Em declarações à RTP Antena 1 esta quinta-feira, à margem de um evento em Loures, a secretária de Estado da Mobilidade afirma que 82% das candidaturas nos pesados rodoviários de mercadorias já está pago. Com estes apoios em curso, "agora entraram os de passageiros e eu acredito que, mais um mês também, estará tudo pago", estimou Cristina Pinto Dias.
A governante sublinha que os apoios anunciados ao setor dos transportadores estão a ser cumpridos. No caso dos pesados de mercadorias, as candidaturas estavam disponíveis até 28 de agosto e "só a partir daí é que se começava a processar", explica Pinto Dias, acrescentando que "neste momento, nos pesados rodoviários de mercadorias, 82% já está pago".
Questionada sobre se será possível haver mais rapidez nos pagamento, responde que "está a ser", reconhecendo uma necessidade de celeridade. De acordo com a secretária de Estado, em 2022, os prazos para pagamento situavam-se entre os quatro e os seis meses, explicando então que, para candidaturas encerradas em agosto, a maioria dos pagamentos nos pesados de mercadorias já estava processado, seguindo-se o campo dos passageiros.
"Nem sempre a administração pública responde tão rapidamente"
De forma a compensar a subida de preços nos combustíveis, um dos apoios anunciados pelo Governo para as empresas de transportes públicos de passageiros foi um apoio mensal extraordinário de 420 euros por autocarro durante três meses. No final do mês passado, a RTP Antena 1 deu a conhecer o caso da Viação Alvorada, uma das operadoras da Carris Metropolitana, os autocarros da Área Metropolitana de Lisboa.
Desde março, o aumento do custo com os combustiveis nesta empresa já representava um impacto de três milhões de euros. "Existem apoios do Governo, no entanto não são suficientes", apontava André Caseiro, diretor da Viação Alvorada.
Inês Linhares Dias - RTP Antena 1 | 21 de setembro de 2026
O responsável referia que os apoios dos 420 euros ainda não tinha chegado, relativos aos meses de abril, maio e junho. "Ainda aguardamos que a plataforma para a submissão dos pedidos seja disponibilizada", salientava. André Caseiro recordava, no entanto, que a existência de frotas cada vez mais elétricas permitia atenuar os custos.
Foi à margem da apresentação oficial de 37 autocarros elétricos da Rodoviária de Lisboa, outra das operadoras da Carris Metropolitana, que o presidente dos Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML) garantiu esta quinta-feira que a oferta de autocarros não está em causa, apesar das dificuldades reconhecidas.
Não querendo pronunciar-se sobre questões que são responsabilidade dos operadores, Carlos Humberto de Carvalho admite à RTP Antena 1 que "nem sempre a administração pública a todos os níveis responde tão rapidamente quanto a dimensão dos problemas".
Segundo a Carris Metropolitana, 14% de toda a frota já é elétrica, sendo que, com a entrada em vigor desta frota, a percentagem de autocarros elétricos na Rodoviária de Lisboa subiu para 15%.
A administração da Rodoviária de Lisboa foi também questionada neste evento sobre o efeito do custo dos combustíveis nas suas operações, mas recusou responder no momento. A RTP Antena 1 deixou depois questões por escrito, estando a aguardar resposta.